Abril Azul
Vamos falar sobre Autismo?
O mês de abril se veste de azul para iluminar uma causa que merece nossa atenção o ano todo: o Transtorno do Espectro Autista (TEA). Mais do que apenas uma cor no calendário, esta é uma oportunidade para desmistificar conceitos, derrubar preconceitos e, acima de tudo, entender que o diagnóstico não é um ponto final, mas o início de uma jornada de descobertas e suporte adequado.
Muitas famílias ainda vivem a angústia da dúvida ao notar comportamentos diferentes em seus filhos. Por isso, conversar abertamente sobre o Autismo é o primeiro passo para construir uma sociedade mais inclusiva.
Continue a leitura e confira os principais pontos sobre o TEA e como identificar os sinais precocemente:
O que é o Transtorno do Espectro Autista (TEA)?
Diferente do que muitos pensam, o Autismo não é uma doença. Ele é uma condição do neurodesenvolvimento ou um transtorno. E segundo a Dra. Maria de Lourdes Ribeiro Câmara, Neuropediatra e conveniada Medical, ele é uma diferença no funcionamento do cérebro que afeta a forma como a pessoa percebe o mundo e interage com os outros.
Como destaca a Dra. Maria de Lourdes, por ser um espectro, o TEA se manifesta de formas muito variadas. Existem desde casos leves, que podem passar despercebidos até a vida adulta, até casos que exigem apoio intensivo para atividades do dia a dia.
Manifestação e sinais comuns
O Autismo geralmente se manifesta em duas áreas principais:
Comunicação e Interação Social
• Dificuldade na fala: Algumas crianças podem demorar a soltar as primeiras palavras ou repetir frases de forma mecânica (Ecolalia).
• Interpretação literal: Dificuldade em entender ironias, gírias ou expressões de duplo sentido, para elas tem que ser tudo ao “pé da letra”.
• Contato visual: Pode haver uma resistência natural em manter o olhar direto durante uma interação.
Comportamento Social e Sensibilidade
• Hipersensibilidade: Reações intensas a barulhos, luzes ou texturas. Conforme pontua a Neuropediatra, Dra. Maria de Lourdes, o que muitas vezes é interpretado como uma "crise de birra" pode ser, na verdade, um desconforto sensorial físico real.
• Hiperfoco: Um interesse profundo e muito específico por temas como mapas, números ou personagens.
• Rotina rígida: Uma necessidade de previsibilidade, pois as mudanças repentinas podem gerar grande ansiedade.
O diagnóstico na fase adulta
Nunca é tarde para se entender. Um ponto crucial destacado pela Dra. Maria de Lourdes é que o diagnóstico nem sempre acontece na infância. Muitas pessoas atravessam décadas tentando se encaixar em padrões sem entender por que se sentem diferentes ou por que certas situações sociais e sensoriais são tão exaustivas.
Segundo a Neuropediatra, não é raro que a descoberta aconteça apenas na fase adulta. Muitas vezes, isso ocorre quando os pais buscam ajuda para os filhos e acabam se identificando com os sintomas ou quando o esgotamento mental leva a pessoa a procurar um especialista.
Descobrir-se Autista depois de adulto traz um alívio imenso, pois oferece respostas para uma vida inteira de questionamentos e permite, finalmente, buscar estratégias que respeitem o seu próprio funcionamento.
A importância do diagnóstico com especialistas
Identificar o Autismo precocemente é a chave para que a criança desenvolva seu potencial máximo. Ao perceber sinais persistentes, o caminho é buscar uma avaliação multidisciplinar.
Nesse processo, a figura do Psiquiatra Infantil ou do Neuropediatra é central. A Dra. Maria de Lourdes reforça que o olhar clínico especializado permite diferenciar características do desenvolvimento de sinais do espectro, garantindo que as intervenções (como Psicologia e Fonoaudiologia) comecem o quanto antes.
Além do diagnóstico: acolhimento e suporte especializado
O Abril Azul vem nos lembrar que o acolhimento tem o poder de transformar realidades. Pessoas com TEA possuem formas únicas de processar o mundo e merecem ser respeitadas e incluídas em todos os espaços, da escola ao convívio social, no trabalho e com suas famílias.
Se você percebe sinais no comportamento do seu filho ou tem dúvidas sobre as etapas do desenvolvimento, buscar ajuda especializada é essencial. O conhecimento, aliado ao acompanhamento de profissionais especializados, é o que garante mais qualidade de vida e autonomia para a criança.
A Medical está ao seu lado nessa jornada de cuidado e inclusão.
Dra. Maria de Lourdes Ribeiro Câmara
Neuropediatra
CRM 46537 SP